De 18 a 20 de Maio 2011 | das 15h00 às 18h00 | Sala de Exposições da Escola das Artes
O JARDIM DE TS'UI PÊN, TEMPOS QUE SE BIFURCAM
A partir do texto “O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam” de Jorge Luís Borges (Ficções, 1989), professores e alunos da unidade curricular de Arte Interactiva (do Mestrado em Som e Imagem, especialização em Artes Digitais) apresentam a exposição “O Jardim de Ts’ui Pên, Tempos que se Bifurcam”.
Esta exposição, composta por três instalações de vídeo-arte interactiva ("aB, "Fragmentos de um Olhar - Um invisível labirinto de tempo" e "O Jardim do Tempo") estará patente na Sala de Exposições da Católica-Porto a partir do dia 18 de Maio, com inauguração prevista para as 15h00.
“O Jardim de Ts’ui Pên, Tempos que se Bifurcam” rende homenagem ao conto de Borges e tenta enfatizar as características hiper-textuais e interactivas que o texto potencia.
De facto, o relato de “O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam” leva-nos, ou melhor dizendo, encaminha-nos para uma história (a qual o autor classifica de policial) que narra o percurso de uma personagem que comete um assassinato como forma de dar a conhecer o enigma da sua missão secreta de espionagem. Ao longo do relato, o leitor conhece a vítima que fora encarregue de decifrar o misterioso livro de Ts’ui Pên, antepassado do protagonista.
A obra de Ts’ui Pên, um objecto que é simultaneamente livro e labirinto, transporta o leitor para diversos momentos temporais e espaciais da narrativa. As opções de leitura devem ser imaginadas não só no plano dos percursos físicos, no espaço, mas também no plano dos vários fenómenos divergentes, convergentes ou paralelos que a noção de tempo potencia.
Um labirinto espaço-temporal, que de alguma forma subverte a noção de texto tradicional e onde é pedido ao leitor, através das várias interpretações, que encontre, nos múltiplos caminhos possíveis, a direcção certa que o leve à conclusão da história.
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(Jorge Coutinho)

"Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura..."
(Alberto Caeiro)
Assim como cada um de nós é do tamanho e dimensão das suas escolhas e acções.
"aB" é uma instalação interactiva que conta com os seus fruidores para se ligar ao conto "O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam", de Jorge Luís Borges. Foi realizada no âmbito da unidade curricular de Arte Interactiva.
Jorge Luís Borges propõe um labirinto construído no tempo. Um tempo/espaço infinito onde todas e cada uma das infinitas possibilidades está contemplada. Bem como as suas consequências.
Tal como o labirinto de Ts'ui Pên, "aB" propõe um labirinto sem barreiras, onde todas os porvires são válidos e simultâneos. Em que percursos individuais se mesclam e se entrecruzam. Percursos esses que são feitos por quem os caminha.
Quem os caminha constrói uma ordem no vazio. Deixa uma pegada temporária, um vector, uma intenção marcada numa tela virtual.
A instalação é composta por duas frentes interdependentes. Uma delas diz respeito à captação do movimento, e outra, à mostra e registo das respectivas marcas. As áreas de movimento dos transeuntes de uma determinada área são mapeadas através de uma câmara. Essa informação é então enviada para um computador que gera uma visualização desses percursos.
Para além de exprimir a intenção base deste projecto, o percurso desde o ponto "A" até o ponto "B", "ab" significa "vindo de", ou "a partir de", em Alemão; uma certeza de uma proveniência, mas com um destino imprescrutável.
Um Invisível Labirinto do Tempo
(Pedro Serrano)
A instalação interactiva FRAGMENTOS DE UM OLHAR é baseada no conto “O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam”, de Jorge Luís Borges e realizada no âmbito da unidade curricular de Arte Interactiva.
A instalação propõe simular uma viagem no tempo, através da memória de um indivíduo, onde os interactores ao percorrer um caminho em direcção à instalação vão poder deslocar-se por alguns fragmentos da sua memória, ou seja os interactores ao deslocarem se linearmente no espaço viajam não-linearmente no tempo através da memória de um indivíduo.
Os fragmentos filtrados pelo nosso olhar formam caóticos caminhos, um invisível labirinto de tempo, que quando queremos lembrar-nos de algo os percorremos como viajantes do tempo.
(VOID | Carlos Sena Caires + Jorge Cardoso)
Instalação video-interactiva | Maio 2011
Instalação integrada na exposição colectiva “O Jardim de Ts'ui Pên, Tempos que se Bifurcam” a partir do conto O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam de Jorge Luís Borges (Ficções, ed. Teorema, 1989) para o projecto final da disciplina de Arte Interactiva (1º ano de Mestrado em Som e Imagem, especialização em Artes Digitais - Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa).
" Num dos passados possíveis tu és meu inimigo, noutro meu amigo, ambos podem salvar-se, ambos podem morrer". (p. 88)
O JARDIM DO TEMPO propoe-se como uma viagem. Uma viagem no tempo que apresenta as múltiplas possibilidades de um percurso, iterações de uma vida. O protagonista da nossa história encontra-se num dilema: ir ou não ir até ao fim do último acto. Num desses momentos (passado ou futuro), ele assume o seu destino, noutro tenta ganhar coragem, noutra ainda, desiste. A história está contada, o futuro já existe.
Cabe ao espectador descobrir as diversas variantes da narrativa. Através da sua participação (que consiste em lançar berlindes num labirinto de madeira), e consoante os caminhos percorridos pelo(s) berlinde(s), poderá assistir ao desenrolar das múltiplas opções disponíveis. Devido ao factor de aleatoriedade implementado nos vários percursos, cada participação será (potencialmente) diversa, o que deverá permitir uma maior abertura da história contada e permitir encontrar versões sempre diversas consoante as sequências encontradas.
"Nós não existimos na maior parte desses tempos; nalguns deles existes tu e eu não; noutros, eu, e tu não; noutros ainda existimos os dois". (p. 91)


