Screen Shot 2014-02-14 at 14.16.33

The Journal of Science and Technology of the Arts (CITARJ) is a peer-reviewed publication that results from a commitment of the Research Centre for Science and Technology of the Arts (CITAR – http://artes.ucp.pt/citar) to promote knowledge, research and artworks in the field of the Arts. It covers a wide range of topics related to the study and practice of Artistic work approached through Science and Technology.

The Journal is published (in hard copy and on-line: http://artes.ucp.pt/citarj), by the Portuguese Catholic University (UCP), providing a distinctive forum for anyone interested in the impact that the application of contemporary Science and Technology is having upon the Arts.

All papers should be written in English.   Submission deadline: May 31, 2014.

The journal is open to submissions, at: http://artes.ucp.pt/citarj/pages/view/callforpapers

xCoAx2014-a3_dyi_poster

A segunda edição da conferência xCoAx realiza-se no Porto em parceria com a Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa, nos dias 26 e 27 de junho 2014. O prazo para submissão de artigos e propostas de trabalhos artísticos acaba a 31 de dezembro deste ano.

xCoAx 2014:
Computation
Communication
Aesthetics
and X

http://xcoax.org/

“Abstract Machines”, a lecture by Douglas Édric Stanley, november 29th at School of the Arts of the Catholic University of Portugal.

The lecture will be organised in 3 parts : (1) The evolution of his work to address the issue of the “game” and its relationship to aesthetics; (2) A theoretical exposition on the relationship between “algorithm” and “machine”, from the text of Heidegger “The Question Concerning Technology” and crossing the thought of Wiener on cybernetics; (3) A seminar opened from both.

A short biography of Professor Douglas Stanley: Born and raised in Silicon Valley, Douglas Edric Stanley has since emigrated to France where he has been working for the last decade as artist, theoretician and researcher in Paris, Geneva and Aix-en-Provence. He is currently Professor of Digital Arts at the Aix-en-Provence School of Art where he teaches programming, interactivity, networks and robotics, and runs the Atelier Hypermédia, an atelier dedicated to the exploration of algorithms and code as artistic materials. He is also an Invited Professor at the Media Design Master of the Geneva University of Art and Design (HEAD) where he teaches Algorithmic Design.

niform, interactive installation, Samuel Bianchini, 2007

niform, interactive installation, Samuel Bianchini, 2007

“Reflective Interaction: how to design interactive apparatus (“Dispositifs”) to provoke aesthetic, practical and critical experiences?”, a lecture by Samuel Bianchini, next friday, november 15 at School of the Arts of the Catholic University of Portugal.

The lecture will be organised in 3 parts : the creation of Samuel Bianchini, his research, and the relation between research and creation (R&C) in the context of an art and design laboratory (as ENSADLab) with a practice based PhD.

Samuel Bianchini is an artist and Associate Professor at the École Nationale Supérieure des Arts Décoratifs (ENSAD, Paris), where he is the head of the research program on Interactive and Performative Installations of the Laboratory (EnsadLab) of its school. His work investigates the impact of technology on modes of representation, on our new forms of aesthetic experiences and our socio-political organizations. He collaborates on research projects with scientific and technology research centers. For more informations about Samuel Bianchini please visit http://www.dispotheque.org

Lights

Horst Hörtner, “Quadrocopter”, 2012 + Prokop Bartoníček, “MIRRSAIC”, 2012

De regresso ao nosso Blog de Artes Digitais, aproveito a ocasião para recordar dois projetos que têm em comum o uso da luz (eléctrica e solar) enquanto forma de expressão artística (obrigado ao André Rangel pelas referências aquando das sessões de doutoramento em Ciência e Tecnologia das Artes), e apresentar-vos este conceito de objectile referido por Gilles Deleuze nos seus textos sobre G. Leibniz e a noção de “dobra” (Le Pli ; Leibniz et Le Baroque, ed. Minuit, 1988).

Por um lado, o trabalho concebido por Horst Hörtner faz alusão ao mundo tridimensional (3D polygon mesh), através de uma original “mise-en-cène” espacial (colocação em cena) de 49 quadcopters com luzes de intensidade variável. Por outro, o projeto de Prokop Bartoníček, intitulado “Mirrsaic” (um combinado das palavras mirror com mosaic), aproveita-se do movimento de translação da terra e do reflexo do sol num dispositivo composto por vários espelhos, de formas e dimensões distintas, para celebrar o instante de um acontecimento único. Duas obras que têm em comum a utilização da luz e da sua expressividade estética enquanto Objeto que tende para um “Objetil” (derivação própria do francês Objectile).

O objetil é um evento. Um evento que tal como o define Gilles Deleuze “ocupa um estado intermediário no nada dissolvido do espaço-tempo”. Um objeto maleável, variável portanto, acessível em instantes temporais únicos e irrepetíveis.  Para Deleuze, o objeto torna-se objetil quando “o novo estado do objeto já não se refere à sua condição de molde espacial – por outras palavras, para uma relação de forma e de matéria – mas para uma modulação temporária que implica tanto o início de uma variação contínua como um contínuo desenvolvimento da forma”. Assim, “o objetil é um novo tipo de objeto que integra o processo de variabilidade da forma e que implica uma dinámica temporal. É um objeto que inaugura um processo evolutivo através da possibilidade de reagir ao ambiente e de estar em interação com as transformações desse mesmo ambiente” (Deleuze, 1988). Do meu ponto de vista, tanto o “Quadrocopter” de Hörtner como o “Mirrsaic” de Bartoníček auferem desta passagem do objeto ao objetil.

http://www.aec.at/futurelab/en/referenzen/kategorie/kunst-am-bau/spaxels-klangwolken-quadrocopter/

Raymond-Bellour

“A querela dos dispositivos. Cinema – Instalações, exposições”, é o mais recente livro de Raymond Bellour (Nov. 2012).

Na sequência dos seus dois últimos livros (Entre-Images, 1990 e Entre-Images 2, 1999), onde Raymond Bellour confirmava a sua visão original no campo conexo do cinema e do vídeo, La querelle des dispositifs. Cinéma-Installations, expositions está inscrito na linhagem daquilo que poderíamos intitular de Entre-Images 3. Com um propósito muito claro, Bellour quis para este terceiro volume chamar as coisas pelo seu nome, realçando, de facto, a importância que o dispositivo tem vindo a ter na caracterização e diferenciação das diferentes formas de expressão artística que fazem do recurso à imagem em movimento o seu atributo mais forte.

O livro reúne vários ensaios publicados na revista Trafic (de 1999 a 2012), onde Bellour realça as obras de diversos autores que ao longo destes anos passaram pelo cinema, ao lado dele e fora dele (citando os trabalhos de Jean-Louis Boissier, de David Claerbout, de Agnès Varda, de Eija-Liisa Ahtila, Douglas Gordon, Chris Marker, Tony Oursler, Pipilotti Rist, Bill Viola ou de Chantal Ackerman, entre outros). Um texto central agrupa todo um conjunto de propostas de artistas diversos que Bellour acompanha (e comissaria) aquando da exposição “Do fotográfico. Estado das imagens, instantes e intervalos”, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa no ano de 2005, novamente com Jean-Louis Boissier, mas também com Pedro Costa, Masaki Fujihata, Luc Courchesne, Michael Snow, Jeff Wall e Thierry Kuntzel, entre outros.

A grande questão que coloca Bellour neste terceiro volume pode resumir-se da seguinte forma: as obras que fazem recurso à imagem cinemática e que são expostas nos museus e nas galerias de arte podem considerar-se “Cinema”? Uma questão de resposta difícil, mas que Bellour atalha reclamando para o “cinema” uma natureza própria que reside no seu dispositivo e que se caracteriza, grosso modo, por possuir uma “sala, o escuro, a projeção e espetadores sentados juntos para assistir, por contrato, a um filme, do seu início ao fim” (e poderíamos completar: – com uma duração que varia de hora e meia a duas horas e que a memória consiga reter). Fugir destas fronteiras é estar fora do cinema e entrar noutra designação que Bellour, à falta de melhor, designa por “filme instalado”. Assim, para Bellour, estar perante um conjunto de ecrãs numa galeria de arte ou ver um filme na televisão deixa de ser cinema, é outra coisa, mas não é cinema. Recordemos o que dizia Jean-Luc Godard sobre o assunto: “ver um filme numa sala de cinema é levantar os olhos, olhar para a televisão é baixar os olhos”. Este estado “submisso e imersivo” perante a imagem do ecrã gigante (- estou sob as vossas ordens) garante um carácter próprio ao cinema que o diferencia da visão direta (- relação de tu a tu) que temos perante o televisor.

No cinema, estamos sentados, quietos. No museu, de pé, passeamos e vadiamos. Os dispositivos são diferentes e põem em jogo um corpo, vários corpos. Bellour realça a importância da “personificação” perante a imagem (the embodiment) para perguntar qual o estado do nosso corpo para receber esta variedade de Imagens? Numa referência a Beckett que dizia que “podemos nos sentir melhor sentados que de pé, deitados que sentados”, Bellour realça que a cada postura o corpo não sente as mesmas coisas, não é a mesma coisa. Isto é, não é o mesmo corpo, a mesma “persona” e consequentemente a Imagem-Cinema não pode ser vista da mesma forma. A querela dos dispositivos está para durar.

Bellour, R., La Querelle des dispositifs, « Cinéma — installations, expositions », edições P.O.L, col. TRAFIC, novembro 2012, 576 pp, ISBN : 978-2-8180-1701-2

 

Deleuze, Criação, Arte, Cinema

Gilles Deleuze : « Qu’est-ce que l’acte de création ? », La Fémis, Paris, 17 de maio de 1987.

A célebre conferência de Gilles Deleuze sobre o cinema e o ato criativo finalmente disponível no Youtube (desde novembro 2012). Clique na imagem para aceder à ligação com o vídeo completo (47 minutos).

(…)”O que é ter uma ideia em cinema?”. (…)”No limite de toda a criação, existe o espaço-tempo.” (…)”Um criativo faz apenas o que realmente precisa.” (…)”A obra de arte não tem nada a ver com a comunicação. A obra de arte não é nem contém qualquer tipo de informação. Ao contrário, existe uma afinidade muito grande entre a obra de arte e o ato de resistência.” (…)”Malraux: A arte é a única coisa que resiste à morte. ” (…)”A arte é o que resiste. ”

(…)”Gostaria, eu também, de fazer algumas perguntas. E de questionar-vos, e de questionar-me a mim próprio. Isso seria … seria do género: o que é que vocês fazem ao certo, vocês que fazem cinema? E eu, o que é que eu faço exatamente quando eu faço ou quando espero fazer filosofia? “

MichelSerres

(Petite Poucette de Michel Serres, edição Le Pommier, 2012, 85 páginas. Fotografia de Eric Garault)

O mais recente ensaio de Michel Serres propõe uma renovada postura pedagógica perante o surgimento de uma nova geração de estudantes, as polegarzinhas.

Filha da Internet e do telefone portátil inteligente (smartphone), a polegarzinha – alcunha que Michel Serres atribuí à geração dos adolescentes – vive num mundo completamente diferente do que conheceram os seus pais e avôs. A polegarzinha – um piscar de olho à maestria com que os jovens escrevem SMS com os seus polegares – é uma população que nasceu nos anos 1985 a 1995, e cresceu com a propagação das novas tecnologias. Segundo Serres, os pais da polegarzinha (os papas ronchon) trabalham “com” as novas tecnologias – o que implica uma certa exterioridade (“não somos obrigados a conhecer o que se passa dentro da máquina”), e por conseguinte têm todos uma “cabeça exteriorizada”. Este, explica que, trabalhar “com” alguma coisa é estar fora dessa mesma coisa. A geração seguinte, a das polegarzinhas, vive num mundo implicado pelas novas tecnologias, não vive “com” as novas tecnologias, mas sim “dentro” delas. E é esse mundo que os avôs e pais da polegarzinha não entendem.

Neste pequeno ensaio, Michel Serres discute o surgimento de uma nova era – a da revolução digital. Para Serres nada pode ficar como dantes, tudo se alterou e se alterará, nomeadamente a relação pedagógica. Daí a pergunta: “Será que a revolução digital veio alterar a forma como ensinamos?” Digamos que já a alterou: a pedagogia modificou-se completamente com as novas tecnologias (ajustou-se, tenta adaptar-se, mas a grande custo). A páginas tantas, o autor propõe o seguinte raciocínio: “Antigamente (anos 1960-1980), quando eu entrava no meu auditório, o conteúdo da aula era relativamente desconhecido para os meus alunos. Estávamos na era da “presunção de incompetência”. Hoje em dia, qual a probabilidade e quantos alunos visitaram ou investigaram na Internet e na véspera de uma aula os conceitos que irei leccionar no dia seguinte? Estamos perante uma “presunção de competência”.” Atualmente, os alunos pesquisam na Internet tudo e mais alguma coisa (“o saber está na Wikipédia. Eu sei, porque clico”) e é por isso que a relação pedagógica é cada vez mais assimétrica.  Já não basta ao professor lançar sobre os seus alunos uma resma de conceitos e de conhecimentos decorados (ou sabidos), porque antes que o professor tome a palavra o aluno já adquiriu um certo número de informações. “É preciso saber ouvir os estudantes” diz-nos Serres, é preciso “saber o que eles sabem [...], escutar a novidade para a compreender”, para compreender o mundo onde os nossos alunos habitam. Uma vez percebida e assimilada essa “novidade”, podemos adaptar o nosso ensino. Para podermos julgar as novas tecnologias é preciso sair do mundo anterior e “entrar” literalmente neste novo mundo do digital, do instantâneo, do efêmero e do virtual.

A relação ao saber alterou-se profundamente, diz-nos Michel Serres. A relação pedagógica e cognitiva também. De facto as novas gerações criam comunidades que nunca teríamos imaginado antes. Para explicar como adaptar-se a esta nova realidade, Serres propõe que pensemos sobre o conceito de autoridade. Do ponto de vista do ensino, a palavra “autoridade” torna-se fundamental. Autoridade vem do latim “augere”, que significa fazer crescer, aumentar…, consequentemente, quem tem autoridade é aquele que aumenta qualquer coisa. Daí que, hoje, para ter autoridade num auditório ou numa sala de aula é preciso “aumentar” o saber (presunção de competência), fazendo funcionar o que diferencia um professor de um aluno, isto é, a “novidade, a inovação, a experiência e a inteligência”, palavras de Serres.

Fica aqui esta sugestão de leitura.

 

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The Journal of Science and Technology of the Arts (CITARJ) is a peer-reviewed publication that results from a commitment of the Research Centre for Science and Technology of the Arts (CITAR – http://artes.ucp.pt/citar) to promote knowledge, research and artworks in the field of the Arts. It covers a wide range of topics related to the study and practice of Artistic work approached through Science and Technology.

The Journal is published (in hard copy and on-line: http://artes.ucp.pt/citarj) by the Portuguese Catholic University (UCP), providing a distinctive forum for anyone interested in the impact that the application of contemporary Science and Technology is having upon the Arts.

All papers should be written in English. Submission deadline: May 31, 2013.
The journal is open to submissions, at: http://artes.ucp.pt/citarj

A Revista do CITAR, na sua quarta edição, prossegue o esforço de disseminação da investigação realizada nas áreas da Ciência e Tecnologia das Artes, reunindo artigos científicos nacionais e internacionais de relevo e de alta qualidade. Este quarto número apresenta sete artigos científicos e quatro revisões críticas, duas de exposições artísticas, uma de uma obra literária e outra de um documentário.

Muito brevemente será lançada uma chamada de artigos para o 5º número.

Pode ser consultada a sua versão online em: http://www.artes.ucp.pt/citarj