Bibliografia
Jerusalém PDF Print E-mail
Romance
Written by Helder Dias   
Tuesday, 18 August 2009 17:41

Costumo levar sempre livros quando vou de férias. Normalmente não os leio porque as outras pessoas com quem vou têm o mesmo hábito e eu acabo por ler os livros delas. As férias servem também para esta espécie de abandono ao acaso, ao novo. Neste caso, permitiu-me satisfazer a curiosidade e ler uma das obras mais aclamadas da série o Reino, de Gonçalo M. Tavares.

O livro lê-se vorazmente apesar de, em alguns momentos, impôr alguns recuos e avanços para tentarmos reordenar os fragmentos da história. Na verdade não chega a haver uma história no sentido tradicional do termo mas sim um manto de personagens que participam num destino comum que as aproxima. Esta tensão entre o que se conta e o que se encontra é essencial. Trata-se por isso de um livro de encontros, percorrido por personagens errantes arrancados a um fundo sempre presente de loucura. Para além de Mylia e Ernst, pontifica o doutor Theodor, imerso em part-time num projecto quixotesco de procura estatística dos padrões que animam a emergência do horror. Esta procura de segurança e de previsibilidade contrasta com o ambiente do Georg Rosenberg e com o manto de doença que cobre a maioria dos personagens. Sem dúvida uma leitura aconselhável. Segue-se o Aprender a Rezar na Era da Técnica que descansa na minha mesa de cabeceira desde o Natal passado. 

Fica esta citação, tão adequada aos dias que correm. 

"Perseguem as doenças estranhas. Perseguem os doentes estranhos. Quem tem uma doença estranha deixa de ser doente, entre na categoria do criminoso. Ter uma doença normal significa que se obedeceu e se foi exacto nas funções. Uma doença estranha revela uma falha: faltou-se à higiene ou à verdade." 

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Last Updated ( Tuesday, 18 August 2009 18:20 )
 
Economie de l'hypermatériel, Bernard Stiegler (parte I) PDF Print E-mail
Filosofia
Written by Helder Dias   
Monday, 23 February 2009 00:00

Tags: tecnologia | teoria

 

Economie de l'hypermatériel et psychopouvoir. Stiegler, Bernard. Mille et une nuits, 2008. ISBN: 978-2842059453.

Este post, na minha opinião, refere-se a um dos autores contemporâneos mais interessantes e o livro em questão merece uma atenção redobrada. 

O autor é Bernard Stiegler, filósofo francês, que no seu curriculum conta também com o facto de ter sido director do IRCAM e fundador da associação Ars Industrialis. O facto de ter descoberto a filosofia durante um período de cárcere por assalto à mão armada é mais um dado que incrementa a imprevisibilidade da sua obra.

O livro em questão é bastante condensado (131 p.), no entanto, o facto de se tratarem de "conversas", aumenta o seu dinamismo e a facilidade da sua compreensão.

Para os mais familiarizados com o pensamento de Stiegler, nomeadamente com a sua obra principal  (La Technique et le Temps I, II, III), este livro é uma espécie de update que abre diversas linhas de investigação. Em comum com as obras anteriores mantêm-se como referência alguns dos suspeitos habituaisGilbert SimondonLeroi-Gourhan e, neste caso, uma ajuda preciosa de Max Weber

O livro encontra-se dividido em 3 partes temáticas: a economia libidinal capitalista, a ciência contemporânea e o hiper-material.

 

1.

O capitalismo desenvolveu técnicas apuradas de captação do desejo. A proletarização do espírito referida por Stiegler apoia-se no jogo de espelhos que a técnica contemporânea estabelece com a cultura. As formas cada vez mais apuradas de recolha de informação acerca dos hábitos de consumo permitem a construção de um reflexo personalizado. Neste circuito existe cada vez menos espaço para o erro e para o desvio. Entramos numa produtividade concorrencial quanto à "ocupação do tempo livre do cérebro". O cálculo estabelece-se como eixo central de apaziguamento e dispersão das forças libidinais.

"Le capitalisme s´est structuré comme une économie libidinale de la sublimation, mais de telle sorte que cette économie libidinale a soumis tous les objets du désir au calcul, c´est-à-dire à la désingularisation, ce que l´on peut apeler avec Max Weber at Marcel Gauchet un désenchantement, et ce à un point tel que cette économie libidinale capitaliste s´avère aujourd´hui autodestructrice: elle se ruine elle-même, ce qui veut dire aussi qu´elle détruit toutes les consistances - et, avec elles, les existences et les motifs d´exister, car une consistance est avant tout un motif." p.24

Last Updated ( Monday, 23 February 2009 17:01 )
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Lev Takes Command I PDF Print E-mail
Software Studies
Written by Helder Dias   
Tuesday, 25 November 2008 22:20

The Invisible Shapes of Things Past (1995/2007), Art+Com 

Ao contrário daquilo que a imagem possa indiciar, eu não vou analisar o trabalho da empresa Art+Com. Em vez disso, pretendo realizar um comentário à obra (softbook) mais recente do Lev ManovichSoftware Takes Command. Aproveito também para inaugurar um novo tipo de comentário/post a uma obra: o softpost. Esta forma dinâmica de escrever sobre um livro in progress, implica que o meu comentário também nunca esteja concluído.

Curiosamente, este livro foi escrito em 2006, altura em que num curto espaço de tempo tive oportunidade de ouvir duas conferências do autor sobre o tema do livro, uma delas em Lisboa, no CCB.

Como o nome indica o livro centra-se na questão do software. No entanto, Lev Manovich não se limita a definir o software como tema, pretende inaugurar os software studies (em linha com os cultural studies). Para quem considera exagerada a ideia de centrar todas as dinâmicas culturais em torno da softwarização da sociedade, eis a resposta do autor: "The school and the hospital, the military base and the scientific laboratory, the airport and the city—all social, economic, and cultural systems of modern society—run on software. Software is the invisible glue that ties it all together."

E ainda: "In other words, our contemporary society can be characterized as a software society and our culture can be justifiably called a software culture – because today software plays a central role in shaping both the material elements and many of the immaterial structures which together make up “culture."

Last Updated ( Wednesday, 26 November 2008 11:27 )
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Postproduction, Nicolas Bourriaud PDF Print E-mail
Estética
Written by Helder Dias   
Tuesday, 21 October 2008 00:00

Anywhere Out of The World (2000), Philippe Parreno | One Million Kingdoms (2001), Pierre Huyghe

Postproduction Culture as Screenplay: How Art Reprograms the World. Bourriaud, Nicolas. New York: Lukas & Sternberg, 2002. ISBN 0971119309. Traduzido por Jeanine Hermann. 

Documentário produzido pela BBC e apresentado por Ben LewisArt Safari - Relational Art, is it an ism? 

Para inaugurar a minha participação nesta área pela qual tenho um gosto especial, proponho um exercício duplo que passa pela leitura de um pequeno livro que Nicolas Bourriaud escreveu depois do muito aclamado Relational Aesthetics e pelo visionamento de um documentário apresentado pelo bem humorado Ben Lewis sobre a arte relacional.

Depois de ler o livro creio que as melhores palavras para o definir são: didáctico e militante. Creio tratar-se de uma obra que os nossos alunos deviam ler porque resume (94p.) uma determinada abordagem à prática artística. O livro tem sido atacado de várias formas embora a mais frequente seja a de que não apresenta nada de novo. Claro que uma resposta possível se encontra na argumentação do próprio livro e na forma como as últimas décadas se têm vindo a libertar do peso da novidade contínua. Eu prefiro olhar para ele como um instrumento interessante porque, mesmo não produzindo uma grande clivagem relativamente a muito do que se tem escrito sobre este tema, apresenta de maneira fluída muitos dos problemas centrais que percorrem a arte actual. O aspecto militante, prende-se com a notória proximidade que Bourriaud tem relativamente à cena artística que analisa e da qual ele é um actor proeminente o que leva a que, por vezes, o seu discurso oscile e perca alguma clarividência.

Last Updated ( Tuesday, 21 October 2008 23:00 )
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As Fantasmagorias de Clément Rosset PDF Print E-mail
Filosofia
Written by Carlos Sena Caires   
Tuesday, 30 September 2008 22:00

Hieronymus Bosch, O juízo final (excerto), (v. 1500)

 

ROSSET, Clément, Fantasmagories, suivi de Le Réel, l´Imaginaire et l´Illusoire, «Paradoxe», Paris, Les Éditions de Minuit, 2006.

Para inaugurar esta nova secção sobre “Livros de Cabeceira” gostaria de sugerir um pequeno livro sobre noções tangentes da realidade e a criação de ilusões e imagens bizarras que pululam nos nossos sonhos. São as Fantasmagorias (arte de criar ilusões de óptica) do ensaísta e filósofo francês Clément Rosset. Um livro sobre a noção de Real, onde Fotografia, Reprodução Sonora e Pintura são considerados como “duplos” menores da própria realidade. Numa altura em que termos como “Realidade Virtual”, “Mundos Virtuais” e “Virtualidade” abundam no vocabulário contemporâneo (e nas tendências mais vanguardistas), um pequeno passo atrás para recuperar a noção de “Realidade” não podia deixar de fazer algum sentido (na minha modesta opinião) no contexto do nosso blog de Artes Digitais.

Neste pequeno ensaio, o filósofo francês Clément Rosset defende que a Fotografia, a Reprodução Sonora e a Pintura são realidades per si, e que de nada serviria compará-las com a própria Realidade. Impossível, então, de instruir contra elas um processo que visa estabelecê-las como duplicações imaginárias e ilusórias do real.

Assim, quando o juiz de valor actua sobre valores eminentemente estéticos, tanto a Fotografia, a Reprodução Sonora como a Pintura devem ser consideradas como realidades verdadeiras, caso contrário são apenas reproduções do real e consequentemente diferentes deste. Na verdade, estes três tipos de realidades são apenas e só “duplos de proximidade” ou “duplos menores” da própria Realidade, segundo Rosset.

Last Updated ( Wednesday, 06 January 2010 21:19 )
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Abertura PDF Print E-mail
Bibliografia
Written by Helder Dias   
Saturday, 27 September 2008 21:28
Esta é uma secção muito especial. Dentro em breve, os elementos que participam neste projecto começam a partilhar os seus livros de cabeceira. Comentários, sugestões, resumos, fichas de leitura e, como não podia deixar de ser, pesadelos relacionados com os textos que acabaram de ler.

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Last Updated ( Wednesday, 01 October 2008 15:28 )
 


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